Os doces conventuais Portugueses

Portugal, cantinho plantado à beira-mar, é conhecido pela sua tradição de doces conventuais, receitas que, como indica o nome, foram criadas nos conventos espalhados pelo país.

Estas delícias da gastronomia portuguesa foram criadas no século XV, quando o açúcar começou a receber uma atenção especial por causa da colonização da Ilha da Madeira, onde se cultivava a cana de açúcar. Compostos por grandes quantidades de açúcar e gemas de ovos, a grande quantidade deste último deve-se ao fato de que as freiras dos conventos usavam as claras de ovos para engomar as roupas e, para não desperdiçar as gemas, começaram a usá-las como base para a produção de doces.

De Norte a Sul do país, o “Pastel de Nata” consegue ser o doce com maior protagonismo, sendo um dos símbolos da gastronomia e doçaria portuguesa. Todavia, cada região do país tem os seus próprios doces típicos, já que a variedade é saborosamente rica e diversificada!

No norte de Portugal, um dos doces mais apreciados chama-se “Viúvas” e teve origem no Convento dos Remédios. O segredo da sua receita, além de muitas gemas de ovos, é o miolo de noz e as raspas de laranja; o nome deste doce dá-se ao fato de que era comprado especialmente por viúvas, para a festa de São Bento, celebrada em março e julho.

No centro do país, na zona de Abrantes, os doces mais conhecidos são os “Fios de ovos” ( também conhecidos como "Palha de Abrantes", que são confeccionados apenas com gemas e uma técnica de cozimento em calda de açúcar) e as “Tigeladas”, que adquirem o seu nome por causa da tigela de barro onde são cozidas.

Já na zona do Algarve, um dos doces típicos chama-se “Doce Fino” e é um bolinho de massapão (massa pronta) com amêndoa ralada e açúcar em proporções iguais amassadas com clara de ovo. Este doce assume, normalmente, a forma de frutos, flores ou outras imagens. Outro doce bastante característico é o “Dom Rodrigo”. Feito a partir de ovos e açúcar, como a maioria do resto da doçaria conventual, inclui-se na receita as amêndoas, onipresentes na doçaria algarvia.

Esta não é uma amostra significativa dos doces conventuais portugueses: em Coimbra temos o “Pastel de Tentúgal”, em Alcobaça o “Pão-de-ló” do Mosteiro de Alcobaça, no Alentejo a “Boleima” de Portalegre, os bolos de mel da Madeira…